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Um pouco sobre a Abordagem Centrada na Pessoa

Isadora Dias & Mamede Silva

Nos Estados Unidos, em meados de 1926, onde o trabalho psicológico dentro das instituições era bastante intenso, Carl Ramson Rogers, psicólogo, estudando e praticando sessões de “Aconselhamento” experimenta formas de abordar seus clientes com significativa singularidade.
Inicialmente trazendo a idéia de aconselhamento não-diretivo, as idéias de Carl Rogers evoluíram com o passar dos anos para uma filosofia de vida, visão de mundo e de homem, chamada “Aborgadem Centrada na Pessoa”, ou ACP.
As proposições da ACP estão baseadas no pressuposto básico de que o ser humano possui uma capacidade inata que lhe impulsiona para a freqüente tentativa de progredir. Sendo assim, encontram-se dentro de si todos os mecanismos necessários para lidar consigo e com o outro.
Um clássico exemplo dessa tendencia é o das batatas no porão. Ainda jovem, Carl Rogers observara as batatas que ficavam depositadas no porão nos meses de escassez. Ele percebera que, mesmo num lugar frio e úmido, com pouca luz e quase nenhuma condição de sobrevivência, as batatas brotavam, mesmo brancas e feias brotavam como se tivessem condições de tornar-se uma planta de verdade.
Ali estaria a vida lutando para viver, independente das condições. Mesmo que o processo fosse um pouco doentio, aquela batata ainda tentava viver, completamente voltava para uma réstia de luz que ainda podia ser encontrada. Para Rogers, essa força que impulsiona ao crescimento estaria presente, também, nos seres humanos e nos demais organismos de uma maneira geral. Era o conceito de "Tendência Atualizante" que surgiria posteriormente (Rogers, 1989).
Contudo, para Rogers, o homam não é, por isso, sempre “bom”. A teoria da personalidade por ele proposta deposita no sujeito a responsabilidade sobre seu comportamento e o alinha a um fluxo universal de evolução que, mais tarde irá ser chamado de “Tendência Formativa do Universo” (Rogers, 1983).
Outro fator preponderante na pespectiva da ACP é a valorização das relações interpessoais como facilitadora do crescimento pessoal e comunitário. O homem não vive isolado, mas em sistemas de relações. O meio social em que está inserido tanto pode servir como o porão das batatas, dificultando o crescimento, como também pode ser um solo fértil e ensolarado, facilitando o progresso.
No decorrer de seus trabalhos terapêuticos, Carl Rogers percebeu que obtinha um maior êxito quando observava três atitudes: a Aceitação Positiva Incondicional, Autenticidade e a Compreensão Empática. (Rogers, 1974). Para ele essas três condições são facilitadoras não apenas da relação terapêutica, mas também de todas as outras relações. Elas tornam as relações “de pessoa para pessoa”. Segundo a ACP, esse é o caminho para o funcionamento pleno no organismo.
É neste particular se encontra mais fortemente a influência dos fatores sociais e grupais para a ACP. A Psicoterapia vem suprir uma falta existente, a carência do encontro verdadeiro entre pessoas, por isso deve ocorrer um encontro verdadeiro entre o terapeuta e o cliente, para que sejam atingidas as condições ideais para crescer e desenvolver-se em sua personalidade.
Esse tipo de relação facilitadora do crescimento deveria estar presente em todos os âmbitos, em todas as diferentes relações, em sala de aula, na comunidade, no ambiente familiar, nos casais, pais e filhos. É a dificuldade que as pessoas têm de encontrar-se verdadeiramente (a partir das três condições facilitadoras a pouco citadas) que nasce a dificuldade da aceitação pessoal e a partir dela, a dificuldade para o crescimento e conseqüente sofrimento.

O terapeuta e cliente para a Abordagem Centrada na Pessoa

No dia-a-dia, somos bombardeados por determinações de como devemos ser, o que devemos (ou não) sentir, como devemos nos comportar. Isso pode nos levar a um distanciamento cada vez maior de quem realmente somos. O objetivo maior da ACP é resgatar esse “eu” perdido e desenvolvê-lo para atuar em qualquer relação. Assim, o encontro passa a ser o motor desse desenvolvimento.
A ACP acredita que esse tipo de relação facilitadora do crescimento deveria estar presente em todas as diferentes relações como: em sala de aula, na comunidade, no ambiente familiar, nos casais, entre pais e filhos. Mas, é da dificuldade que as pessoas têm de encontrar-se verdadeiramente que nasce a dificuldade da aceitação pessoal e a partir dela a dificuldade para o crescimento e conseqüentemente o sofrimento.
É nesse particular que se encontra mais fortemente a influência dos fatores sociais e grupais para a ACP. A psicoterapia vem suprir uma falta existente, a carência do encontro verdadeiro consigo e entre pessoas. Acreditamos que deva ocorrer um encontro verdadeiro entre o terapeuta e o cliente, para que sejam atingidas as condições ideais para que a verdadeira personalidade deste possa crescer e desenvolver-se.


Rogers, C. R. Terapia Centrada no Cliente. Lisboa: Moraes Editores, 1974.
Rogers, C. R. Um jeito de ser. São Paulo: EPU; 1983.
Rogers, C. R. Sobre o poder pessoal. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

ASSOCIAÇÕES DA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA